LÓGICA
INTERNA DOS ESPORTES DE INVASÃO
Características
dos esportes de invasão
Nos esportes de invasão é possível
perceber, entre outras semelhanças, que as equipes jogam em quadras ou campos
retangulares. Em uma das linhas de fundo (ou num dos setores ao fundo), fica a
meta a ser atacada, e na outra linha de fundo, a que deve ser defendida. Para
atacar a meta do adversário, uma equipe precisa, necessariamente, ter a posse
de bola (ou objeto usado como bola) para avançar sobre o campo do adversário
(geralmente fazendo passes) e criar condições para fazer gols, cestas ou touchdown.
Só dá para chegar lá conduzindo, lançando ou batendo (com um chute, um
arremesso, uma tacada) na bola, ou no objeto usado como bola, em direção à
meta.
Nos esportes de invasão, ao mesmo
tempo em que uma equipe tenta avançar, a outra tenta impedir os avanços. E para
evitar que uma chegue à meta defendida pela outra, é preciso reduzir os espaços
de atuação do adversário de maneira organizada e, sempre que possível, tentar
recuperar a posse de bola para daí partir para o ataque.
Papel de
jogador nos esportes de invasão
O papel de jogador é definido pela
globalidade essencial dos esportes de invasão, constituído por ações coletivas
de ocupação e hegemonia do campo adversário.
Capacidades importantes como o
protagonismo, o trabalho coletivo, o desempenho do seu papel em prol do
coletivo, portar-se de acordo com a tática coletiva, adaptar-se a situações
adversas em momentos de dificuldade, o respeito às regras, ao ambiente de
jogo, ao adversário, ao árbitro, reconhecer as suas necessidades técnicas e táticas
e os seus principais atributos positivos, entre outras, podem estar presentes
nas discussões.
Papel de
técnico nos esportes de invasão
No papel de técnico, é essencial
combinar duas capacidades: (a) ler as ações coletivas de ambas as equipes e
como elas interagem, por exemplo: como elas se combinam e se espelham uma na outra;
(b) identificar como a interação de cada indivíduo se relaciona com o todo e
pode atuar como um parâmetro de controle para o comportamento dinâmico do
coletivo. exercitar a sua criatividade, a análise dos seus jogadores,
procurando incentivá-los e extrair o seu máximo potencial, indicar necessidades
técnicas, físicas e táticas dos jogadores e adaptar a equipe de acordo com o
que cada um tem de melhor, contornar situações de conflito ou de derrota.
Papel de
árbitro nos esportes de invasão
Esse
papel envolve o olhar do árbitro quanto a ações pessoais de um jogador quando infringe
(a) A dinâmica das ações coletivas;
(b) A dinâmica pessoal da ação de cada jogador;
(c) A integridade física, psicológica e social de cada jogador.
Nesse
sentido, deve desempenhar a função de fazer cumprir as regras, sendo imparcial
e zelando pela segurança dos demais atletas.
Elementos
da lógica interna dos esportes de invasão
Os esportes de invasão apresentam
elementos que constituem a sua lógica interna. González e Bracht (2012)
apresentam o seguinte:
• Objetivo do
jogo: o principal objetivo do jogo é que as equipes tentem ocupar o setor da
quadra/campo defendido pelo adversário para marcar pontos, protegendo a sua
meta simultaneamente.
• Área de
jogo: a área de jogo é retangular, comum a todos os jogadores, com os alvos
e/ou metas nos extremos da quadra ou do campo de jogo. Em muitas modalidades
tem a presença de um jogador especializado para defender a meta (goleiro), mas
não em todas.
• Papéis dos
jogadores: nos esportes de quadra, todos os jogadores atacam e defendem; nos
esportes de campo, a tendência é ter papéis mais diferenciados (atacantes,
defensores, meio campistas).
• Ações
táticas ofensivas: o jogador deve observar antes de agir (passar, conduzir,
finalizar), passando para quem tem melhores condições de finalizar ou dar
continuidade ao jogo.
• Outra ação
tática ofensiva é apoiar o atacante com posse de bola (oferecer linha de passe,
afastar seu defensor direto, fazer bloqueio), procurando se desmarcar,
participando do rebote ofensivo e do retorno/equilíbrio defensivo.
• Ações
táticas defensivas: o jogador deve responsabilizar-se pelo atacante direto,
posicionando-se entre o atacante e a meta, mantendo no seu campo visual o
atacante direto e o atacante com posse de bola.
• Outra ação
tática defensiva é cobrir/ajudar o defensor do atacante com posse da bola,
dobrando o defensor do atacante com posse da bola quando superado.
• Habilidades técnicas: manejo e condução de bola (com e sem implemento),
passe, drible, chute, cabeceio, arremesso e finalizações.
Estratégias
ofensivas
• Manter a posse e criar coletivamente chance para finalizar;
• Procurar superioridade numérica (uso de combinações táticas);
• Efetuar rápida mudança de defesa-ataque;
• E contra-atacar de forma organizada.
Estratégias
defensivas
• Fazer uma ocupação equilibrada do espaço;
• Evitar a superioridade numérica;
• Realizar retorno defensivo organizado;
• Variar a organização defensiva (sistema, zona, individual, misto,
combinado, pressão).
BRASIL.
Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília,
2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/.
Acesso em: 4 out. 2021.
GONZÁLEZ,
F. J.; BRACHT, V. Metodologia do ensino dos esportes coletivos. Vitória:
Universidade Federal do Espírito Santo, 2012.
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